Ciclo do Ouro

O ciclo do ouro é como se chama o período em que a extração e a exportação do mineral eram tidas como as principais atividades econômicas da fase colonial do Brasil. Esse período teve início no final do século XVII, coincidindo com o momento da história brasileira em que as exportações do açúcar do Nordeste decaíram por causa da concorrência em todo o mundo com o mercado consumidor.

Já o que motivou a redução nas vendas do açúcar foi, entre outros fatos, os holandeses terem começado a produzir o produto também, nas colônias que possuíam na América Central, tornando-se fortes concorrentes. Vale lembrar ainda que, nesse mesmo período, entre os anos de 1750 e 1770, Portugal estava com grandes problemas econômicos internos, em parte, por decorrência da sua má administração.

Os portugueses também estavam sofrendo pressão pela Inglaterra, que já estava se industrializando e queria consolidar o seu mercado consumidor, bem como sua hegemonia mundial. Com a descoberta de imensas quantidades de ouro no Brasil, os portugueses começaram a enxergar uma luz no fim do túnel para acabar com a sua crise. As primeiras minas de ouro em terras brasileiras foram encontradas nos estados de Goiás, Mato Grosso e Minas Gerais.

É nesse momento histórico que a capital brasileira, que se localizava em Salvador mudou-se para a cidade do Rio de Janeiro. Essa estratégia partiu de ordens do governo português, a fim de aproximar a capital das regiões ricas em ouro do país. Outro objetivo dessa mudança era garantir também a fiscalização nos estados de mineração.

Impostos cobrados durante o ciclo do ouro

Para lucrar com a atividade de extração do ouro, a Coroa Portuguesa cobrava impostos altos em cima do minério extraído, os quais eram recolhidos pelas Casas de Fundição – órgão responsável pelo arrecadamento das taxas. Nessas casas o ouro também se transformava em barras.

Os principais impostos cobrados sobre a extração do outo eram os seguintes:

  • Quinto: 20% de toda a produção do ouro caberiam ao rei português;
  • Derrama: a colônia tinha a obrigação de conseguir uma quota de aproximadamente 1.500 kg de ouro todos os anos. Caso contrário, deveriam ser penhorados os bens dos mineradores.
  • Capitação: imposto pago por cabeça, isto é, sobre cada escravo que trabalhava nas minas era cobrado o imposto.

Devido à cobrança abusiva de impostos e outros problemas que sofria o povo nativo brasileiro em relação à coroa de Portugal, entre eles, punições e abuso de poder político, iniciaram diferentes revoltas sociais pelo país. Uma das mais notórias desse período foi a chamada Inconfidência Mineira, que ocorreu em 1789, tendo como uma de suas figuras centrais Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes.

Como aconteceu o ciclo do ouro

As grandes jazidas de ouroestavam em Minas Gerais, Goiás e Mato Grosso. Nesses estados os locais eram divididos em lavras – lotes auríferos para exploração, da mesma maneira que aconteciam com as sesmarias latifundiárias de monocultura. Ao longo do auge do ciclo, houve um significativo aumento do fluxo de pessoas e mercadorias nas regiões com ouro.

Assim, os estados explorados passaram por um desenvolvimento tanto intelectual quanto econômico. Intelectual porque esse movimento proporcionou a chegada dos ideais iluministas trazidos pela elite recém-intelectualizada e economicamente se refere à produção alimentar para subsistência e pequenas manufaturas.

Outra mudança no país foi a respeito do crescimento demográfico. Nesse período, estima-se que a população brasileira tenha passado de 300 mil para cerca de 3 milhões de pessoas. Nessa mesma época, começou a se desenvolver ainda uma economia baseada na atividade pecuária em diversas regiões isoladas do Brasil.

Nas casas de fundição, as pedras eram derretidas e transformadas em barras, as quais ganhavam um selo que dava legitimidade na hora da negociação. Essa medida foi incorporada ao sistema porque havia desvios e sonegações que, quando descobertos, eram penalizados duramente.

O ciclo do ouro se prolongou até por volta de 1785, quando se esgotaram as minas e a atividade foi dada como encerrada. Concomitantemente a isso, ocorria a Revolução Industrial, na Inglaterra. Com o fim do ciclo do ouro e com o aumento populacional, uma das consequências do ciclo foi a pobreza e a consequente desigualdade social, uma vez que um grande número de trabalhadores ficou desempregado.