Convênio de Taubaté

O Convênio de Taubaté foi assinado em 1906, com o intuito do estado intervir no sistema de cafeicultura brasileira. O objetivo desse plano era o de permitir a subida dos valores da cultura e, dessa forma, garantir os lucros dos produtores de café.

Contexto histórico do Convênio de Taubaté

Vale lembrar que desde o final do século XIX, o café já havia se tornado o principal produto na economia do Brasil, além de ser exportado para o mercado mundial. Nos primeiros anos da República, a riqueza dos cofres públicos promovida pela produção do grão era grande. O quadro também era benéfico para os grandes proprietários de terras, uma vez que eles usavam a sua força política em prol de seus interesses.

São Paulo era o principal produtor do grão no país, sendo que o produto era bastante valorizado no exterior, com preços altíssimos. Para ter uma ideia, 70% de toda a produção mundial tinha origem dos cafezais brasileiros, sendo os Estados Unidos era um dos grandes consumidores do grão.

Depois que o cultivo do café explodiu no país, resultando em muito lucro, começou um período em que o crescimento desenfreado da oferta do produto começou a ser maior do que a procura. Por uma série de motivos, inclusive, pela concorrência, mas também pelas guerras do período, foi verificada uma superprodução de café.

Esses primeiros sinais da crise apareceram ainda no fim do século XIX, quando o mercado consumidor externo não estava crescendo na mesma proporção que crescia a produção do grão no país. Por causa disso, o seu preço caiu assustadoramente. Em 1893, a saca era vendida a 4,09 libras, em 1896 caiu para 2,91, e chegou a 1,48 em 1899.

Com essa queda substancial do preço do café e para dar uma solução ao problema, a fim de não serem sentidos os prejuízos originários da baixa dos preços, o estado resolveu interferir. Assim, os governadores dos estados do Rio de Janeiro, Minas Gerais e São Paulo reuniram-se com o intuito de firmar um acordo.

No que consistia o Convênio de Taubaté

A fim de evitar que o valor do grão caísse tanto de acordo com o equilíbrio natural do mercado internacional, os governantes passariam a comprar e a estocar todo o excedente. Com essa medida, poderia se manter de forma artificial os altos preços. Então, em 1906, os governadores Nilo Peçanha, do Rio de Janeiro, Francisco Sales, de Minas Gerais, e Jorge Tibiriça, de São Paulo, firmaram o convênio, na cidade paulista de Taubaté.

O Convênio de Taubaté definia as bases da política da valorização do café. Além de se comprometer com a realização de empréstimos no exterior, a fim de comprar os excedentes da produção, os governadores decidiram por estabelecer a amortização e os juros desses empréstimos seriam cobertos com um novo imposto cobrado sobre cada saca de café exportado.

Outra medida do convênio era desestimular a expansão da plantação, inclusive, de novas. Mesmo que não concordasse com o plano, o então presidente Rodrigues Alves acabou vendo a medida ser colocada em prática através de seu sucessor, Afonso Pena, já que seu mandato estava prestes a terminar. Alves alegava a urgência em conter gastos e deter a inflação. Mas um ano depois, o seu sucessor se tornou presidente colocou em prática o convênio.

Em um primeiro momento, os banqueiros ingleses não quiseram fazer os empréstimos, mas voltaram atrás quando os bancos alemães e norte-americanos estavam fazendo. O governo retirou do mercado, em quatro anos, oito milhões e meio de sacos de café, com o financiamento não apenas do capital internacional, como também de diversos governos. Embora tenha ajudado em um primeiro momento, o cenário da cafeicultura brasileira, a longo prazo fracassou, pois o plano só daria certo se o Brasil fosse o único produtor do grão no mundo.

Como Alves previa, o Convênio de Taubaté trouxe apenas uma série de problemas para os envolvidos. Entre eles, a economia brasileira arruinada, devido aos empréstimos pedidos a outros países. Ou seja, o Convênio de Taubaté não conseguiu manter o preço do produto. Em 1929, com a quebra da Bolsa de Nova York e a Grande Depressão nos Estados Unidos, um dos maiores compradores do café brasileiro, o quadro piorou. Assim, tem fim o ciclo da supremacia dos cafeicultores brasileiros.