Inversão Térmica

A Inversão Térmica é um fenômeno que pode acontecer em qualquer região do mundo, no final da madrugada e no início da manhã. Conceitualmente, o fenômeno é uma camada atmosférica de milhares de metros de espessura que acontece no topo da camada limite planetária, a CLP, a uma altitude de 1km sobre áreas continentais.

É nesse ponto onde o gradiente térmico (gradiente vertical da temperatura do ar) decresce com a altura, numa razão abaixo a 10 graus por km (gradiente adiabático). Ou seja, é um fenômeno natural que consiste na inversão das camadas atmosféricas, em escala local, de modo que o ar frio permanece em baixas altitudes e o ar quente nas camadas mais elevadas.

Com isso, há uma desestabilização momentânea da circulação atmosférica e alteração na temperatura. Em outras palavras, a inversão térmica funciona da seguinte forma: durante o dia, o ar perto do solo é aquecido pelo calor, como nos dias quentes. Esse ar quente sobre, uma vez que é mais leve e menos denso.

Já à noite, o chão esfria muito rápido, sendo que a temperatura do ar que está mais perto da superfície também é reduzida. Assim, forma-se uma camada de ar frio abaixo da camada de ar aquecida durante o dia. No dia seguinte, a camada de ar frio, mais pesada e densa, não consegue subir, porque o ar quente faz um bloqueio. Isso é a inversão térmica.

Logo após o nascer do sol, a inversão térmica começa a se dissipar por causa do gradual aquecimento do solo e do ar. A partir disso, o ar aquecido que se forma sobe, e proporcionalmente, o ar resfriado cai, voltando à normalidade da circulação atmosférica. A inversão térmica acontece com mais frequência nas regiões que possui um solo que absorve muito calor durante o dia e que o perde ao longo da noite.

Quando a inversão térmica é um problema

Em grandes cidades, como as capitais brasileiras e do mundo, com a intensa atividade industrial e uma numerosa quantidade de veículos nas ruas, a camada de ar frio concentra muitos poluentes, é como se a fumaça ficasse “presa” e contaminasse o ar. Por isso, as metrópoles sofrem um grande problema quando apresentam o fenômeno.

O que também contribui para as consequências maléficas da inversão térmica são as grades concentrações de áreas construídas e a impermeabilização do solo, devido ao asfalto, o cimento e as calçadas. O desmatamento é outro fator relevante para a maior ocorrência de poluição.

O problema, portanto, está no fato da camada de ar frio que não consegue se dissipar e que concentra toneladas de poluentes, provenientes de várias fontes. Assim, agrava-se a poluição das baixas camadas da atmosfera.

No entanto, nos dias quentes é mais difícil de acontecer a inversão térmica. Nesses dias, os raios solares esquentam o solo, que transfere o calor para o ar acima dele. Esse ar aquecido, mais leve e menos denso sobe e leve embora os poluentes. Por esse motivo, o nível de poluição do ar, normalmente, é maior no inverno do que no verão.

Inversão térmica em São Paulo

Nas metrópoles, como é o caso de São Paulo, fica visível a “fronteira” entre as duas camadas de ar. Quando a inversão térmica ocorre na capital paulista, é possível observar o fenômeno ao perceber que próximo do chão, o ar é escuro e possui cheio de fumaça. Logo acima, o céu é azul. Essa linha que se forma e divide o ar sujo do ar limpo é a chamada zona de transição do ar frio e o ar quente.

Com isso, fica impossível formarem-se as correntes de ar ascendentes na atmosfera. Os resíduos poluidores, por sua vez, se concentram junto à superfície, agravando os efeitos da poluição. Por isso, é comum que os habitantes de São Paulo sofram com irritação nos olhos, nariz e garganta.

Além disso, a inversão térmica pode ocorrer também quando existe a chegada de uma frente fria, que sempre vem por baixo da frente quente. A frente pode ficar algum tempo estagnada no local, podendo permanecer por algumas horas ou até mesmo dias.