Reforma Protestante

Reforma Protestante é como se chama o movimento reformista cristão que aconteceu no começo do século XVI. Essa que é considerada uma grande transformação religiosa foi comandada por Martinho Lutero, uma das principais figuras da época, que protestou contra diversos aspectos da doutrina da igreja Católica Romana.

As críticas de Lutero foram publicadas em suas 95 teses, em 1517, as quais leu em frente à igreja do castelo de Wittenberg, convidando os demais para iniciar uma reforma no catolicismo romano. Já os princípios fundamentais da Reforma Protestante são conhecidos como os Cinco solas.

Nessa época, Lutero recebeu o apoio de diferentes governantes europeus e religiosos. Com isso, deu início uma revolução religiosa, iniciada na Alemanha e que se estendeu por outros países, entre eles, Reino Unido (onde o movimento ganhou o nome de anglicanismo), França e Holanda (que foi liderado por Calvino), Suíça, Escandinávia e os Países Baixos. Parte do leste europeu, inclusive, a Hungria, e os Países Bálticos também participaram do movimento.

Por sua vez, a igreja Católica Romana respondeu com um movimento conhecido como Contrarreforma ou Reforma Católica, iniciada no Concílio de Trento. Entre as consequências da Reforma Protestante está a divisão da chamada Igreja do Ocidente entre os católicos romanos e os protestantes ou reformados – o que deu origem ao Protestantismo.

O movimento também deu início a uma série de massacres e perseguições por parte da Igreja Católica Romana como, por exemplo, a noite de Massacre da noite de São Bartolomeu. De qualquer forma, foi responsável, portanto, pelo rompimento da unidade do cristianismo no Ocidente, mudando de modo radical a estrutura eclesiástica.

Contexto histórico da Reforma Protestante

Desde o final da Idade Média, a centralização monárquica dominava a Europa, o que deixou o clima tenso entre reis e igreja – a qual até então centralizava o domínio espiritual e o poder político-administrativo dos reinos. Por isso, a igreja também contava com grandes extensões de terra, por meio do qual recebia tributos feudais controlados em Roma, pelo papa.

A partir do fortalecimento do Estado Nacional Absolutista, começou a ser questionada pelos monarcas essa situação. Além disso, os camponeses não estavam satisfeitos com a igreja. Na Alemanha, por exemplo, os bispados e os mosteiros tinham muitas propriedades, assim, abades e bispos viviam à custa dos trabalhadores.

Ironicamente, a Igreja considerava pecado as práticas capitalistas que começaram a surgir, entre elas a usura, ou seja, a cobrança de juros por empréstimos. Também defendia a comercialização sem direito ao lucro, o que diminuía o poder de investimento da burguesia mercantil e manufatureira.

Internamente, a igreja estava passando por um processo de ruptura, que resultou em dois sistemas teológicos. De um lado, o tomismo, do outro, a angostiniana. No entanto, a desmoralização total do clero veio com a prática do comércio de bens eclesiásticos.

A igreja também usava sua autoridade para obter privilégios, desrespeitava o celibato clerical e vendia os cargos. Por fim, veio o maior de todos os escândalos: venda de indulgências, isto é, o perdão dos pecados em troca de pagamentos a religiosos.

A Reforma de Lutero

Lutero (1483-1546) era um monge agostiniano alemão e professor da Universidade de Wittenberg. Em 1517, ficou revoltado com a venda de indulgências realizada pelo dominicano João Tetzel, o que estimulou as suas 95 teses. Em 1520 o para Leão X escreveu uma bula reprovando Lutero, exigindo sua retratação. Lutero queimou o documento em público. Em 1521, o imperador Carlos V convocou uma assembleia Dieta de Worms para considerar Lutero herege.

No entanto, ele foi acolhido por parte da nobreza, refugiando-se no castelo de Wartburg, onde se dedicou à tradução da Bíblia do latim para o alemão. Também começou a criar os princípios da nova religião. Em 1530, a Confissão de Augsburgo, escrita por Melanchthon, discípulo de Lutero, fundamentou a doutrina Luterana.

Contra Reforma

Começou em 1534, quando o ex-soldado espanhol da religião basca Inácio de Loyola fundou a ordem religiosa Companhia de Jesus. Organizada com modelo militar, formou os seus membros jesuítas como “soldados de Cristo”, que combatiam o protestantismo pregando a fé católica. Nessa época, foi reativado o Santo Ofício, responsável pelo Tribunal da Inquisição, que condenou a torturou quem não seguia os seus dogmas.

Em 1545 e 1563, realizou-se o Concílio de Trento, quando surgiu uma igreja reformada, e o Index, lista de livros  proibidos pela Igreja, incluindo livros científicos de Galileu, Giordano Bruno e muitos outros.