República Velha

A República Velha compreende a primeira fase da República brasileira, que iniciou com a Proclamação da República em 15 de novembro de 1889 e se estendeu até a Revolução de 1930, liderada por Getúlio Vargas. No entanto, a República Velha é apenas uma das três partes na qual se divide a história da República brasileira.

As outras duas divisões são: República Nova ou Era Vargas (1930-1945) e República Contemporânea (1945 até os dias atuais). Além disso, a República Velha conta com dois períodos: o primeiro entre 1889 e 1894 e o segundo período entre 1894 e 1930. Nessa época, o Brasil foi nomeado de Estados Unidos do Brasil.

Primeiro período da República Velha

Essa fase também é conhecida como a República da Espada, uma vez que os dois primeiros presidentes do país eram militares. São eles: Deodoro da Fonseca e Floriano Peixoto. O período foi marcado pelos setores mobilizados do Exército apoiados pelos republicanos, além de centralizar o poder, principalmente, por medo da volta da monarquia e para evitar uma possível divisão do Brasil.

Deodoro da Fonseca começa a chefiar o país no dia seguinte à proclamação, quando foi instaurado um governo provisório. Deodoro deveria dirigir o país até que fosse elaborada uma nova Constituição, sendo que dois anos depois foi promulgada a primeira Constituição Republicana. Assim, já no dia seguinte, o congresso elegeu Deodoro como o primeiro presidente, tendo como o seu vice, Floriano Peixoto.

O novo governo já nascia com inúmeras divergências entre civis e militares, além disso, Deodoro já contava com uma grande oposição no Congresso. Por isso, no mesmo ano, ele dissolveu o Congresso que, por sua vez, realizou um contragolpe. Assim, Deodoro renunciou e entregou o poder ao vice.

Floriano Peixoto, que governou o país até o fim da República da Espada, assumiu o cargo com um forte apoio dos militares. Embora tenha suspendido a dissolução do Congresso, não foram convocadas novas eleições, como determinava a Constituição. Isso provocou algumas revoltas, entre elas, das fortalezas de Lage e a de Santa Cruz, a Revolta Federativa e a Revolta da Armada. Recebeu o apelido de Marechal de Ferro, pois governou pela força.

Segundo período da República Velha

Também chamada de República das Oligarquias ou Oligárquica, uma vez que foi dominada pela aristocracia dos fazendeiros. Esse período tem como principal característica o poder adquirido pelas elites regionais. As oligarquias que dominavam o cenário político do país eram as forças políticas republicanas de São Paulo e Minas Gerais, que se revezavam na presidência.

Essa parceria ficou conhecida como a política do café com leite, devido à relevância econômica da produção de café paulista e de leite mineiro para a economia brasileira. Assim, com a exceção de três presidentes eleitos (Hermes da Fonseca, Epitácio Pessoa e Washington Luís), todos os demais eram mineiros ou paulistas.

Prudentes de Morais (1894-1898) foi o primeiro presidente civil da República. Assumiu o mandato em meio a uma tensa cena política, pois o coronelismo – quando os coronéis interviam nas decisões da administração federal, estava muito presente. Foi no seu governo que aconteceu a Guerra de Canudos.

O segundo presidente foi Campos Sales (1898-1902), que fez um acordo com as oligarquias agrárias – a Política dos Governadores, a fim de trocar favores para manter os candidatos da situação no poder. Na sequência, o governo de Rodrigues Alves (1902-1906) foi marcado pela Revolta da Vacina e o Convênio de Taubaté. Já Afonso Pena (1906-1909) melhorou a rede ferroviária, estimulou a economia brasileira e a imigração. Nilo Peçanha (1909-1910) criou o Serviço de Proteção ao Índio (SPI), substituído, em 1967, pela FUNAI.

No governo de Hermes da Fonseca (1910-1914), ocorreu a Revolta da Chibata, a Revolta dos Fuzileiros Navais, a Revolta do Juazeiro e a Guerra do Contestado. Já o governo de Venceslau Brás (1914-1918) coincidiu com a Primeira Guerra Mundial. Epitácio Pessoa (1918-1922) combateu a seca nordestina e construiu ferrovias.

Com Artur Bernardes (1922-1926) o país ficou em estado de sítio, devido às agitações políticas, devido a uma série de problemas, inclusive, porque a economia estava em estado crítico. Nesse período, a coluna Prestes com o objetivo de derrubar as oligarquias percorreu mais de 20 000 km pelo país. Washington Luís (1926-1930) foi deposto pela Revolução de 1930.