A Origem do Carnaval no Brasil e no Mundo – História

Mesmo sendo o Carnaval a talvez festa mais popular do Brasil, é bem possível que se forem questionados, os foliões não saberão dizer qual é a origem do Carnaval. Em um mundo de tantas contradições, a data mais festejada no país que tem quase 90% da população cristã tem, na realidade, origem das comemorações pagãs.

No entanto, diferente do que se costuma imaginar, por ignorância, ou mesmo porque o assunto nunca é tratado com a importância que merece, pagão significa apenas acreditar que existe mais do que um deus. Esses, em geral, estão relacionados aos elementos da natureza, as divindades.

Origem do Carnaval

saturnalia

Na Antiguidade, foi quando o Carnaval teve as suas origens, por volta de 600 a 520 a.C. Na época, romanos, gregos, egípcios e hebreus celebravam as grandes colheitas com festas que se assemelham ao Carnaval dos dias de hoje. Estudos apontam que naquela época, a festa se chamava Saturnais ou Saturnália e acontecia na Roma Antiga, para exaltar Saturno, o deus da agricultura.

Há também indícios que apontam que as festas carnavalescas adoravam aos deuses egípcios Ísis e Osíris. Isso podia mudar conforme a região onde a festa acontecia. De qualquer maneira, para todos comemorarem dançando nas ruas, as escolas fechavam e os escravos eram soltos.

É provável que os carros alegóricos tenham a sua origem do que chamavam de carrum navalis, um tipo de carro naval, pois era parecido com um navio. Daí pode ter surgido o nome Carnaval. Semelhante aos dias de hoje, esses veículos levavam mulheres e homens nus. Outras pesquisas relatam que esses bisavôs dos carros alegóricos carregavam pessoas vestidas com máscaras que realizavam brincadeiras e jogos.

A palavra Carnaval, entretanto, pode ter a sua origem do termo latino carnem levare, que quer dizer “retirar ou ficar livre da carne”. O termo também pode significar “adeus à carne” ou “a carne nada vale” e essas expressões estão diretamente ligadas à celebração dos prazeres terrenos, como o sexo.

Quando o Carnaval foi agregado à Igreja Católica

Por falar em “retirar ou ficar livre da carne”, é esse o sentido que o Carnaval recebeu, na Idade Média. Na ocasião, a festa foi incorporada pela Igreja Católica, como aconteceu com tantas outras festividades pagãs que são comemoradas até os dia de hoje e que as pessoas também desconhecem a sua origem.

Mesmo com a resistência de algumas alas mais conservadoras da Igreja, a festa se agregou ao calendário católico em 1091, oficializando a data da Quaresma. De qualquer forma, nesse momento, o Carnaval tem a função de marcar os últimos dias de “liberdade” antes das restrições que são impostas pela Quaresma.

Ou seja, em tese, os 40 dias antes da Páscoa são tidos como um período de penitência para os cristãos. Na Idade Média, o consumo de carne era proibido, por exemplo. Por isso mesmo, em cada ano o Carnaval ocorre em uma data diferente. A Páscoa, no hemisfério sul, ocorre sempre no primeiro domingo depois da primeira lua cheia do outono. Sabendo-se disso, retrocede-se 46 dias no calendário para se chegar à Quarta-Feira de Cinzas.

O Carnaval na Idade Moderna

carnaval

As fantasias e os bailes de máscara foram agregados às festas relacionadas ao Carnaval na Idade Moderna, quando as características improvisadas e subversivas que até então regiam a festividade deram espaço a eventos com maior organização, realizados em locais reservados à mesma. O Carnaval que conhecemos foi muito influenciado pela cultura francesa, que chegou ao Brasil no século XIX. Isso porque a sociedade vitoriana do século XX fez de Paris um exemplo que foi exportado para todo o mundo.

Não só o Rio de Janeiro se rendeu ao modelo francês carnavalesco, mas também cidades como Santa Cruz de Tenerife, Nice, Toronto e Nova Orleans. No Brasil, foram agregados ainda os desfiles de escolas de samba, que serviu de inspiração para cidades como Tóquio e Helsinque. Atualmente, além da capital carioca, a cidade de São Paulo recebe anualmente milhares de turistas de todas as partes do mundo para ver de perto essa grande festa pagã.

No Guinness Book, o Carnaval do Rio de Janeiro aparece como o maior de todo o planeta, com um número estimado de 2 milhões de foliões por dia, nos blocos de rua. Além disso, desde 1995, o Galo da Madrugada, de Recife, está no Guinness Book como o maior bloco carnavalesco da Terra.