Arcadismo

O Arcadismo, também denominado de Setecentismo ou Neoclassicismo, foi uma escola ou movimento literário que apareceu no século XVIII, no continente europeu. Essa manifestação literária abordou principalmente assuntos relacionados ao cotidiano, bucolismo e o retorno às tradições clássicas.

Os autores árcades se distanciaram da escola literária anterior, o Barroco, que se caracterizava pelos excessos. Agora, eles faziam uso de pseudônimos associados aos pastores da poesia grega ou latina, o que explicaria a preferência pelos temas da mitologia greco-romana e do pastoralismo. Além disso, esses assuntos não estavam associados com a realidade atual e, por isso, eram considerados poetas falsos ou “fingidores poéticos”.

Contexto histórico do Arcadismo

As primeiras manifestações do Arcadismo começaram em 1700 – por isso também é chamado de Setecentismo. Já a denominação Neoclassicismo é porque os autores árcades imitavam alguns aspectos da antiguidade greco-romana ou o chamado Classicismo, bem como os autores renascentistas que integravam o movimento que apareceu logo depois da idade clássica.

Ou seja, assim como no Renascimento havia um desejo dos escritores árcades de reviver o estilo clássico, porém, de uma forma diferente. Isto é, eles se interessavam pelas questões artísticas abordadas naquele período, como a razão e a ciência, conceitos originários do Iluminismo (séculos XVII e XVIII, com o lema: liberdade, igualdade e fraternidade).

Características do Arcadismo

Entre as características clássicas que os escritores árcades retomaram está o bucolismo, que significa valorizar uma forma de vida mais simples, pastoril; pacificidade amorosa, ou seja, relações tranquilas, sem grandes sofrimentos, sobre o amor, a vida, o casamento, etc; glorificação da natureza e aversão à vida urbana; e a mitologia pagã.

No Arcadismo, os autores também tinham uma escrita clara, com períodos curtos e versos sem rima.  Eles também eram objetivos em seus escritos e outros temas que abordavam era os seguintes: Inutilia Truncat (cortar o inútil), Fugere Urbem (fugir da cidade), Locus Amoenus (refúgio ameno/agradável) e Aurea Mediocritas (mediocridade áurea/vida comum).

Autores Brasileiros do Arcadismo

Cláudio Manuel da Costa (1729-1789)

Além de poeta, o escritor árcade era jurista e advogado. Ele é considerado o precursor do movimento arcadista no Brasil, destacando-se pela sua obra literária, mais precisamente, a poesia. O poeta mineiro abordava em seus trabalhos, principalmente, os aspectos locais, ao descrever paisagens e se debruçar sobre a temática pastoril, além de expressar um grande sentimento nacionalista.

Foi preso em 1789, acusado de ter participado da Inconfidência Mineira, ao lado de Tiradentes. No mesmo ano, suicidou-se na cadeia. Entre os seus principais títulos estão Obras Poéticas (1768) e Villa Rica (1773).

José de Santa Rita Durão (1722-1784)

Também foi orador e se consagrou como um dos pioneiros do indianismo no Brasil, sendo que o seu trabalho mais notório é o poema épico Caramuru, de 1781. O escritor que também era frei sofreu influência, principalmente, de Camões para o seu poema, que ganhou o subtítulo “Poema épico do Descobrimento da Bahia”.

Além disso, o trabalho se baseia na epopeia tradicional, tanto na proposição, quanto na invocação, dedicatória, narração e epílogo. É formando por dez cantos e versos decassílabos em oitava rima. O poema narra a história de um português, o Caramuru, que após ter naufragado em terras brasileiras, inicia a sua vida entre os índios Tupinambás. Outra obra importante de sua carreira foi Pro anmia studiorum instauratione oratio (1778).

José Basílio da Gama (1741-1795)

É o autor do épico O Uraguai, de 1769, um dos mais famosos escritos brasileiros. Nesse trabalho, o autor fala sobre as disputas entre os europeus, jesuítas e índios. Além disso, o poema difere do modelo épico clássico, sendo formado por cinco cantos, com ausência de rima (rima branca) e estrofação (uso de estrofes).

O poeta mineiro escrevia com o pseudônimo de Termindo Sipílio. Ele participou da Arcádia Romana na Itália e foi preso em Portugal em 1768, acusado de alimentar afinidades com os jesuítas. Entre os seus principais títulos estão ainda Dona Maria Amália (1769) e A Declamação Trágica (1772).

Tomás Antônio Gonzaga (1744-1810)

Além de poeta, o escritor que usava o pseudônimo Dirceu foi também político, jurista e um dos mais importantes autores do movimento. Marília de Dirceu, de 1792, pode ser considerada a sua obra-prima, sendo que é carregada de lirismo e baseada no seu romance com a brasileira Maria Doroteia Joaquina de Seixas. Outro título que escreveu foi Cartas Chilenas (1863).