Barroco em Portugal

O movimento barroco em Portugal começa em 1580, quando o país se afunda em uma grande crise social e econômica, uma vez que é subjugada pelo domínio da monarquia da Espanha. Assim, Portugal perde a sua autonomia e o clima dentro do país é de depressão e de pessimismo, mas também em alguns momentos de nacionalismo e euforia.

Portanto, o estilo barroco reflete esses sentimentos, ou seja, é a chamada arte do contrates, do dilema, do conflito, da dúvida e da contradição. Mesmo em meio às incertezas, crises e turbulências, o período serviu de inspiração para uma arte violenta, dinâmica e perturbada. Essas características são totalmente diferentes do racionalismo, da serenidade e da clareza empregadas na arte clássica.

Características do Barroco em Portugal

O barroco é melhor entendido quando outros opostos se apresentam. Isto é, naquele período da história de Portugal, o povo e os artistas estavam passando por uma fase em que viviam na pele o conflito entre a herança humanista e renascentista e o espírito medieval, religioso, místico e exacerbado pela Contrarreforma Católica.

Isso resultou em uma das principais características do barroco: a irregularidade de suas formas contrastantes, inclusive, na escultura. Esse traço é o resultado do conflito espiritual entre fé e razão, além das contradições que o país vivia, do teocentrismo e do antropocentrismo; do misticismo e do sensualismo, do ceticismo e mundanismo, entre outros conceitos que duelam entre si.

Essa expressão chega à Literatura por meio da sobrecarga de antíteses, oximoros e paradoxos. Já na pintura aparecem os jogos de luz e sombra, de claros e escuros; e na música os esquemas polifônicos geradores do contraponto e da fuga. A arquitetura e a escultura, por sua vez, refletem o contexto social e político com contrastes baixo e alto-relevo, formas convexas e côncavas.

Enquanto isso, a produção seiscentista da literatura em Portugal dá destaque aos gêneros literários e à poesia lírica, bem como ao teatro de costumes, a oratória seca, a prosa moralizante, a historiografia e a epistolografia. O barroco em Portugal seguiu oficialmente até o ano de 1756, quando foi fundada a academia poética Arcádia Lusitana, dando início à era do novo estilo Arcadismo.

Literatura Barroca em Portugal

Quanto à organização do discurso, a estética barroca apresentava duas tendências: o cultismo, chamado ainda de gongorismo, e o conceptismo ou quevedismo. O primeiro tinha como atributos a linguagem rebuscada, culta e descritiva. Um dos artistas que melhor representa essa tendência é o poeta espanhol Luís de Góngora y Argote.

Já o conceptismo tinha como característica principal o jogo de ideias e de conceitos, seguindo um raciocínio lógico, voltado para o racionalismo. O poeta espanhol Francisco de Quevedo está entre os artistas mais célebres desse estilo.

De nacionalidade portuguesa, entretanto, o artista destaque foi o Padre Antônio Vieira, que também era político e pregador, considerado uma pessoa de inteligência e sensibilidade apuradas, que conseguiu resumir como poucos os conflitos do homem barroco. Nos seus sermões, explorava o melhor da retórica de sua época, como orador, era virtuoso, hábil, engenhoso, imaginativo e, acima de tudo, convincente.

Arquitetura Barroca em Portugal

A arquitetura barroca em Portugal diferencia do que estava acontecendo no resto do continente Europeu na mesma época. Devido ao contexto que Portugal vivia, o estilo arquitetônico formava uma mistura original, porém, muitas vezes, mal compreendida.

Naquela época existia a arquitetura Jesuítica, ou arquitetura Chã, com os seus edifícios basilicais de nave única, naves laterais transformadas em capelas interligadas e interior sem decoração, além do exterior ser bastante simples. Tudo muito prático, era esse o intuito.

Porém, a arquitetura barroca transforma por meio da talha dourada (pintura, azulejo, etc.) ambientes infecundos em espalhafatosos cenários decorativos. No exterior dos prédios foram produzidos os mesmos efeitos, por meio de muita decoração. Entre os principais representantes da arquitetura barroca, destaca-se o Palácio Nacional de Mafra.

A construção reflete a arquitetura absolutista, que é formada por um palácio real, uma basílica e um convento. O projeto é de João Frederico Ludovice, arquiteto alemão estabelecido em Portugal, sendo as obras iniciadas em 1717 e finalizadas em 1730. É amplo e na sua entrada existem dois torreões, os quais foram inspirados no desaparecido torreão do Paço da Ribeira. A basílica está ao centro com duas torres sineiras dominadas por uma grandiosa cúpula.