Ciclo do Café

O chamado ciclo do café é o período em que a produção do grão – que tem a sua origem na Etiópia – foi a principal atividade econômica na história do Brasil. O ciclo foi iniciado em 1727, quando chegaram ao país as primeiras mudas do cafeeiro. Embora o grão tenha sido plantado, a princípio, apenas para o uso doméstico, no norte do país, com o passar dos anos, o cultivo chegou até a região sudeste.

A capitania de Grão-Pará, hoje estado de Belém, foi o local da primeira horta de café, a qual pertencia ao Sr. Melo Palheta, um comerciante local. Há pesquisadores que apontam que o café foi introduzido no país por Francisco de Melo Palheta, um militar luso-brasileiro, e que as sementes vieram como contrabando da Guiana Francesa.

Inicialmente, as plantações foram se espalhando em pequenos cultivos pela região norte apenas. Como tinha o objetivo de consumo pessoal, existia pouca produção excedente para comércio e o café ainda não era exportado.

Auge do ciclo do café

Em 1808, começou o Período Joanino, ou seja, os 12 anos em que a família real portuguesa morou no Brasil. Com isso, cresceu a demanda por café e, dessa forma, o grão começou a ser plantado para o comércio intra-colonial, inclusive, em outras partes do país, sobretudo na região do Vale do Paraíba Fluminense, no atual estado do Rio de Janeiro.

Mas não foi apenas no Brasil que a demanda cresceu; nos Estados Unidos, durante a Guerra de Independência, o país foi um dos maiores consumidores de café com o objetivo de substituir o chá, que se tornou insuficiente por causa da guerra contra a Grã-Bretanha. Na França, não foi diferente, sendo que o café virou moda, inclusive, devido à exportação de sua colônia na Martinica.

Além disso, a independência do Brasil, em 1822, coincidiu com o crescimento das plantações, que se espalharam por São Paulo e também seguiram para os grandes latifúndios do Espírito Santo e o Paraná. Mas foi no estado paulista onde se concentrava a maior região de produção do grão. Dessa forma, 1870 foi um dos primeiros grandes momentos do ciclo do café, em especial, no oeste paulista, nas cidades de Ribeirão Preto e Campinas, locais que possuíam a denominada “terra roxa” – solo rico para os cafezais. Nessa região, o solo era ainda mais fértil para o cultivo do cafeeiro. A partir disso, o Brasil conseguiu ter o controle mundial da produção de café em suas mãos.

Além disso, por meio de um sistema de cartel, o país regulava os preços do café em todo o mundo e adquiria lucros altos. Com o boom na produção brasileira, as fazendas que cultivavam o grão cresceram em número, a exportadora cresceu e os imigrantes, principalmente italianos, vieram trabalhar no país.

Crises do clico do café

Embora o país tenha sofrido, por um tempo, com a falta de mão de obra, já que o trabalho escravo não chamava a atenção dos trabalhadores livres e o sistema de parceria com os primeiros colonos imigrantes fracassou, o ciclo do café saiu de sua primeira crise. Isso ainda na década de 1870, quando o trabalho assalariado e a imigração custeada pelo poder público deu espaço ao novo sistema. Assim, a lavoura paulista se reergueu.

A abolição da escravatura, em 1888, originou a outra crise, nas zonas cafeeiras mais antigas, como a da Baixada Fluminense e do vale do Parnaíba. No entanto, na zona oeste de São Paulo, a crise não era sentida. Mesmo assim, nessa época, a cafeicultura do Brasil chegou a exportar mais de 50% do consumo mundial. Por outro lado, o ciclo do café sofreu quedas, nas primeiras décadas do século XX, como consequência de crises internacionais.

O que também prejudicou o ciclo do café foi a Primeira Guerra Mundial, que reduziu a demanda, e a crise de 1929 nos Estados Unidos. Naquela época, a oferta já estava maior do que a demanda e, por isso, os preços estavam caindo e a crise norte-americana diminuiu ainda mais a demanda.

Em pouco tempo, houve uma quebra na economia cafeeira, já que o governo não tomou nenhuma medida para absorver os estoques. Porém, ele acabou decidindo comprar o excedente e evitar o surgimento de novas lavouras. No entanto, já estava estabelecido o declínio do ciclo do café.