Discurso Direto, Indireto e Indireto Livre

O discurso direto é o termo usado para se referir à modalidade de técnica narrativa que o escritor usa quando a personagem é quem fala. Está relacionado à reprodução integral e literal, sendo que na escrita é sinalizado pelo travessão no início da sentença. Além disso, outra característica do discurso direto é que ele é acompanhado de um verbo declarativo, seguido de dois pontos e travessão.

Sintaticamente, o conteúdo da fala funciona sempre como objeto direto do verbo declarativo. Em uma história, portanto, são as personagens que falam. O narrador, quando este existir, pode interromper a narrativa e colocar as personagens na cena, a fim de ceder a elas a palavra. Em diálogos é isso o que acontece, uma vez que as personagens ganham voz.

Na literatura, permite ao leitor identificar nos traços da fala a personalidade das personagens. Além disso, antecedendo ao discurso direto, o escritor costuma usar alguns verbos, os chamados verbos de elocução, entre eles, responder, perguntar, declarar, falar e dizer. Aspas, interrogação e exclamações são outros atributos da reprodução das falas.

Exemplos:

  • Exemplo 1: “– Por que chegou cedo?” Indagou Marina, assim que surgiu à porta de casa, em Santa Ana.
  • Exemplo 2: Dirigiu-se até o seu trabalho querendo contar o que havia acontecido. No caminho, encontrou Joana ao longe, abanou e falou em voz alta: “– Quero conversar agora mesmo com você!”. Ao que Joana respondeu: “– Estou a serviço no momento, mas ligo assim que possível”.

Discurso Indireto 

O discurso indireto é aquele usado quando o narrador apenas registra a fala da personagem, sem reproduzi-la fielmente. Assim, a fala sofre influência do narrador e, por isso, os tempos verbais mudam, para que haja entendimento quanto à pessoa que fala. Para melhor compreender, é comum ainda citar o nome de quem pronunciou os dizeres ou ainda se faz uma referência qualquer ao personagem.

Ou seja, no discurso indireto o narrador conta aos leitores o que a personagem falou, para tanto, faz isso na terceira pessoa. É possível dizer ainda que a fala do personagem é traduzida pelo narrador. Nesse caso, não é preciso usar travessão nem outros mecanismos da linguagem para sinalizar a fala. No entanto, às vezes, são usados também os verbos de elocução no discurso direto.

Exemplos:

  • Exemplo 1: Marina perguntou porque chegou cedo, assim que surgiu à porta de casa, em Santa Ana.
  • Exemplo 2: Ao encontrar Joana, ao longe, abanou e falou em voz alta que queria conversar agora mesmo. No entanto, a mulher disse-lhe que estava a serviço e que ligaria assim que possível.

Discurso Indireto Livre

O discurso indireto livre também consiste em uma modalidade de técnica narrativa, sendo o resultado da mistura entre o discurso indireto e o direto. É considerado um processo de grande efeito estilístico, utilizado quando o narrador não apenas reproduz indiretamente a fala de um personagem, como também os seus pensamentos.

Ou seja, ele narra aquilo que os personagens não falam, podendo ser até mesmo os seus sonhos, desejos, etc. Aqui, o discurso indireto livre refere-se portanto ao monólogo interno das personagens, que são expressos apenas pelo narrador. Para tanto, a fala do personagem aparece na fala do narrador.

Porém, o que o leitor lê não é um juízo do narrador, mas sim, o próprio comentário do personagem sem o uso de travessões, dois pontos, aspas e demais mecanismos. Assim, o discurso indireto livre aparece entremeado com o discurso indireto. Além disso, o que caracteriza o discurso indireto livre na escrita, via de regra, são as orações independentes, as quais podem receber verbos de elocução ou não.

Mas quando os possui fica mais fácil de entender que a frase escrita não é do narrador, e sim, da personagem. Também acontece com foco narrativo em terceira pessoa, mas pode, em alguns casos, embora não seja usual, estar em primeira. Na narrativa moderna, esse discurso é bastante usado, uma vez que confere grande ritmo e fluência ao texto.

Exemplos:

  • Exemplo 1: Marina perguntou, assim que surgiu à porta de casa, em Santa Ana, porque chegou cedo. No fundo, entretanto, não estava preocupada, era apenas o seu costume de todos os dias.
  • Exemplo 2: Ao encontrar Joana, ao longe, abanou e falou em voz alta que queria conversar agora mesmo com ela. A mulher disse-lhe que estava a serviço e que ligaria assim que possível. É sempre assim, pensou consigo, Joana nunca se importa com ela.