Lúpus Tem Cura?

A doença autoimune, que afeta vários órgãos e sistemas do corpo, chamada Lúpus não tem cura, mas a partir do tratamento adequado e de uma alimentação rica em opções que funcionem como anti-inflamatório no organismo é possível ter uma vida normal. Todas as doenças autoimunes não possuem cura e geralmente a medicina desconhece a sua causa.

Autoimune quer dizer que o sistema imunológico, que deve proteger o nosso organismo, por algum motivo desconhecido, ataca e destrói por engano células do corpo que são saudáveis. A medicina conhece mais de 80 tipos diferentes de doenças autoimunes. Por outro lado, elas podem ser controladas, cada uma com um tratamento específico.

Há diferentes tipos da doença Lúpus, como discoide, que se limita a atingir à pele; o sistêmico, que ataca todo o corpo; e o Lúpus induzido por medicamentos, podendo ser eles os corticosteroides, remédios para malária (como a cloroquina) e anti-inflamatórios em geral.

Predisposições para o Lúpus

Ao longo dos anos, a medicina percebeu que o Lúpus ocorre mais em mulheres, sendo que a doença pode ser diagnosticada entre os 10 e os 40 anos. Também já se verificou que existem predisposições genéticas, hormonais e ambientais que estão relacionados ao seu aparecimento. Porém, não é contagiosa.

No caso das mulheres, o Lúpus atinge principalmente as que estão em idade fértil, quando a produção do hormônio feminino estrógeno, um autoformador de anticorpos, é alta. Por outro lado, ocorre também em indivíduos de qualquer faixa etária. Além disso, algumas infecções virais ou bacterianas, medicamentos e exposição solar podem ser fatores que desencadeiam o Lúpus em quem já tem a predisposição.

Irmãos de pacientes com Lúpus também possuem grandes chances de desenvolver a doença. O mesmo ocorre entre mães e filhos, porém, ser suscetível à doença não se traduz como desenvolvê-la. Quando uma mulher lúpica, por exemplo, engravida, o bebê pode não ter o problema se houver acompanhamento médico adequado e se a paciente estiver com a doença controlada há pelo menos seis meses.

Sintomas do Lúpus

Os sintomas do Lúpus variam conforme o paciente, o que pode prejudicar a identificação do problema. A doença autoimune afeta, em especial, as articulações, pele, células sanguíneas, vasos sanguíneos, membranas serosas, rins e o cérebro. Assim, alguns dos seus principais sinais são:

  • dor nas juntas;
  • dor muscular;
  • febre;
  • anemia;
  • rachaduras na pele;
  • cansaço;
  • dificuldade na memória;
  • dor no peito quando respira;
  • sensibilidade à claridade;
  • queda de cabelo;

Existem outros sintomas, que são menos frequentes, mas que também estão associados ao Lúpus. Além disso, nem todos os sintomas aparecem no mesmo indivíduo e, em alguns casos, ele nem apresenta os sinais da doença. Outros sintomas menos comuns são:

  • coágulo de sangue;
  • dedos pálidos;
  • tontura;
  • feridas na boca ou nariz;
  • dor de cabeça;
  • alucinações;
  • derrame;
  • tristeza.

Diagnóstico do Lúpus

Para certificar-se de que o paciente possui a doença autoimune, o profissional da saúde deve diagnosticar, ao menos, quatro dos sinais do Lúpus abaixo:

  • Eritema malar: mancha como um rubor, que pode se apresentar plana ou em relevo no rosto;
  • Lesão discoide: placas eritematosas com escamação aderente, comprometimento dos pelos e cicatrização com atrofia;
  • Fotossensibilidade: reação incomum ao se expor à luz solar;
  • Úlceras orais e/ou nasais: aftas indolores;
  • Artrite: em duas ou mais articulações, que se caracterizam por dor e edema ou derrame articular;
  • Serosite: inflamação da membrana que recobre externamente os pulmões (pleura) e o coração (pericárdio);
  • Comprometimento renal: é a incapacidade dos rins de filtrar o sangue, assim, ocorre acúmulo de substâncias tóxicas no organismo;
  • Alterações neurológicas: convulsão ou psicose;
  • Alterações hematológicas: anemia hemolítica ou leucopenia, linfopenia ou plaquetopenia;
  • Alterações imunológicas: anticorpo anti-DNA nativo ou anti-Sm, ou presença de anticorpo antifosfolípide baseado; ou anticorpos antinucleares.

Para diagnosticar algumas dessas situações, o médico deverá solicitar ao paciente alguns exames que podem detectar as situações citadas. Entre eles, estão exames de anticorpos, hemograma completo, radiografia do tórax, biópsia renal e uranálise.

Tratamento para o Lúpus

Ao diagnosticar o Lúpus em um indivíduo, inicia-se o tratamento para controlar a doença, que consiste em adquirir alguns hábitos, bem como aderir a medicamentos. Mesmo quando os sintomas desaparecem antes de findar o tratamento, é preciso seguir com os medicamentos até o momento estipulado.

Entre os hábitos que devem integrar a vida do paciente estão:

  • Evitar exposição solar e mesmo assim aplicar na pele protetor solar com fator 50;
  • Evitar consumir bebidas alcoólicas;
  • Evitar fumar;
  • Não tomar vacinas com vírus vivo.

Embora não se conheça o motivo que causa o desencadeamento de doenças autoimunes, há uma corrente de profissionais da saúde que defende que o Lúpus possui uma forte relação com problemas emocionais. Nesse sentido, sugere-se ainda o tratamento com um psicólogo ou psicanalista. Isso é ainda mais recorrente quando o indivíduo sofreu algum trauma ou que teve uma perda importante, como a de um ente querido.

Alimentos adequados para indivíduos com Lúpus

Uma alimentação equilibrada e saudável sempre torna o sistema imunológico mais forte, evitando a ocorrência de doenças. Além disso, existem alguns alimentos que para os pacientes de Lúpus podem ajudar no controle da doença, uma vez que são considerados anti-inflamatórios.

Entre eles estão algumas espécies de peixes, como o salmão, atum, bacalhau, arenque, cavalinha, sardinha e truta, porque são ricos em ômega 3. Já o chá verde, alho, aveia, cebola, brócolis, couve-flor e repolho, semente de linhaça, soja, tomate e uva são importantes porque são opções antioxidantes.

Abacate, laranja azeda, limão, tomate, cebola, cenoura, alface, pepino, nabo, couve, germinados, beterraba, lentilha são alimentos alcalinizantes, os quais devem substituir alimentos ácidos, que podem desencadear novas crises da doença. Quando possível, a pessoa deve optar pela compra de alimentos orgânicos, pois são livres de produtos químicos, que podem ser maléficos aos pacientes com Lúpus.

As opções integrais dos alimentos também são aliadas de uma alimentação saudável, bem como beber muita água todos os dias e praticar atividades físicas.

Complicações que o Lúpus gera

Quando não controlado por meio dos tratamentos necessários, o Lúpus pode resultar em complicações para a saúde. Para as mulheres com a doença pode ser mais difícil conseguir engravidar, além disso, existe um risco maior de ocorrer aborto espontâneo.

Já quando o paciente não segue as recomendações de não consumir bebidas alcoólicas, não fumar, não expor-se ao sol e não tomar anticoncepcionais orais, uma nova crise da doença pode reaparecer.

Leave a Reply