Pré-Modernismo

O Pré-Modernismo não é considerado um movimento artístico e cultural ou escola literária, mas sim, como uma fase. Encaram dessa maneira muitos historiadores e teóricos, uma vez que o período não foi resultado de uma ação organizada. A fase marcou, ainda, a transição do Simbolismo para o Modernismo.

O Pré-Modernismo existiu nas duas primeiras décadas do século XX e culminou com o ano de 1922, quando foi realizada a Semana da Arte Moderna. É possível dizer, ainda, que o Pré-Modernismo serviu como um preparo para o Modernismo, além de ter sido sincrético, pois reuniu conceitos atrelados ao Realismo, Naturalismo, Simbolismo e Parnasianismo.

Dessa forma, o Pré-Modernismo apresentou produções distintas e, por isso, os escritores da época não dividiam os mesmos ideais, nem havia características específicas que os definiam. Mas sim, houve uma ampla produção literária, tanto de poetas parnasianos e simbolistas, que continuavam a produzir, quanto de escritores que começavam a desenvolver um novo regionalismo.

Momento Histórico

O Brasil estava passando pela “República do café-com-leite” quando o Pré-Modernismo se manifestava. Já na Europa, da onde vinham muitas referências da literatura nacional, entrava na Primeira Guerra Mundial. Isso significava o desapego gradativo ao Velho Continente. Em terras tupiniquins, surgiam os grandes proprietários rurais, em substituição aos governos doa marechais Deodoro e Floriano.

Nesse período, o país se caracteriza, ainda, pela chegada dos imigrantes, principalmente, italianos, pelo ciclo da borracha na Amazônia e pela epidemia da urbanização de São Paulo. Por mais que para alguns isso significasse prosperidade e riqueza, apenas para uma minoria encarou o período dessa maneira, pois cada vez ficavam mais evidentes os contrastes da realidade brasileira.

Esse momento histórico também se caracterizou pela agitação social representada pela Revolta de Canudos, no final do século XIX, e pelos conflitos no Ceará, tendo como figura central o padre Cícero, no início do século XX. Também foi o tempo do cangaço, representado pelo lendário Lampião, no sertão brasileiro. No Rio de Janeiro, em 1904, ocorre a Revolta da Vacina, que na realidade é contra o alto custo de vida e o desemprego.

Já em 1910, é a vez da Revolta da Chibata, quando os marinheiros se rebelaram, liderada por João Cândido, o “almirante negro”, contra o castigo corporal. Tudo isso e mais os movimentos grevistas das classes trabalhadoras sob a orientação anarquista, a fim de conseguir melhores condições de trabalho, levam à crise da atual política do “café-com-leite”.

Características do Pré-Modernismo

  • Ruptura com o academicismo, com o passado e a linguagem parnasiana. Mesmo que ainda conservadoras em alguns aspectos são escritas obras inovadoras;
  • Linguagem coloquial, simples. Usam-se palavras “não poéticas”, entre elas, vermes, vômito, cuspe e escarro, a fim de afrontar a poesia parnasiana.
  • Exposição da realidade social brasileira, como denúncia, negando o Brasil literário herdado de Romantismo e Parnasianismo.
  • Regionalismo e nacionalismo. Os autores escrevem sobre o sertão nordestino, os caboclos interioranos, os subúrbios.
  • Marginalidade das personagens: o sertanejo nordestino, o caipira, os funcionários públicos, os mulatos.

Autores Brasileiros

São relativamente poucos os escritos que se enquadram como pré-modernos, sendo que entre eles, estão Graça Aranha, Euclides da Cunha, Monteiro Lobato, Lima Barreto e Augusto dos Anjos. Conheça um pouco sobre alguns deles:

  • Euclides da Cunha (1866-1909): jornalista, ensaísta, sociólogo, historiador, geógrafo e engenheiro, além de escritor e poeta. Entre as suas obras, a mais importante é Os Sertões: Campanha de Canudos, de 1902, obra regionalista, que retrata a vida do sertanejo e a Guerra de Canudos.
  • Graça Aranha (1868-1931): escritor e diplomata maranhense, sendo que a sua obra mais famosa é Canaã, de 1902. O livro aborda a migração alemã no Espírito Santo. É um dos fundadores da Academia Brasileira de Letras.
  • Monteiro Lobato (1882-1948): ensaísta, editor e tradutor, além de escritor, bastante influente que, escreveu entre outras obras, o Sítio do Pica-Pau Amarelo. O gênero infantil foi um dos temas no qual mais se debruçou, mas também escreveu sobre outros temas, como a queda do ciclo do café, no livro Cidades Mortas, de 1919.
  • Lima Barreto (1881-1922): jornalista e escritor, que se deteve principalmente aos temas sociais, rompendo com o nacionalista ufanista e fazendo criticas ao positivismo. Triste Fim de Policarpo Quaresma é o destaque de sua obra, entre outras razões, porque usa a linguagem coloquial e critica a sociedade urbana da época.