Primeira Revolução Industrial

A Primeira Revolução Industrial é considerada o momento em que a forma de produção de mercadorias teve uma grande mudança. Ela aconteceu como consequência da Revolução Comercial, na Europa, começou no século XV e se estendeu até meados do século XVIII. A data marcante é 1760, quando surgiram novos equipamentos que permitam a produção em série de produtos, os quais até então fabricados em quantidades restritas.

No entanto, esse é apenas um dos aspectos que caracterizam a Primeira Revolução Industrial. As relações sociais, o modo de viver e o significado do trabalho também foram afetados. Os principais fomentadores dessa nova perspectiva foram a expansão do comércio internacional e o aumento da riqueza, que possibilitou o financiamento do progresso técnico.

As máquinas movidas a vapor foram as principais responsáveis pela nova organização do trabalho em fábricas. Em outras palavras, a Primeira Revolução Industrial foi o conjunto de transformações econômicas e sociais, as quais impulsionaram a aceleração do processo produtivo capitalista.

Primeira Revolução Industrial na Inglaterra

O primeiro país a ser atingido pelas premissas da Primeira Revolução Industrial foi a Inglaterra, em 1750, o que eliminou quase que por completo com a produção baseada em relações feudais, consolidando definitivamente o modo de produção capitalista. Depois, vieram França e Bélgica e, mais tarde, Alemanha, Itália, Rússia, Japão e Estados Unidos.

A tecelagem de lã era o carro chefe da revolução industrial inglesa, no entanto, o processo de mecanização se consolidou com a fabricação de tecidos de algodão. Com isso, ocorreu a passagem da manufatura para o sistema fabril. A matéria prima chegava de países como Estados Unidos e Índia, na época, colônias inglesas. Já a venda dos tecidos era praticamente todo destinado ao exterior, em torno de 90%. Isso foi fundamental para que a Inglaterra desse a largada inicial na era industrial.

Invenções e Pioneirismo Inglês

Muitos aspectos favoreceram o pioneirismo inglês na Primeira Revolução Industrial. Entre eles, a disponibilidade de mão-de-obra, matéria-prima vinda de suas colônias, acordos comerciais, burguesia no poder, ética protestante que estimulava ao lucro, etc. Além disso, foi na Inglaterra que muitos inventos fundamentais para o momento foram criados, a fim de transferir o poder econômico do comércio para a indústria.

A máquina de fiar, criada em 1767, que transforma em fios as fibras têxteis de algodão, lã e seda, para a produção de tecidos, por exemplo, surgiu na Inglaterra. Assim, a roca, um instrumento de uso manual e bastante tradicional, deixou de ser usado. O mesmo aconteceu com o tear mecânico, inventado em 1785, que substituiu o tear manual, sendo que o tear hidráulico já havia aparecido anos antes, em 1768.

Já a máquina a vapor, criada em 1712, foi o invento mais marcante para a revolução, em especial, na forma de transportar cargas e passageiros, mas também de produzir. Ela foi empregada tanto na indústria de tecido, quanto nas usinas de carvão mineral, na industrialização do ferro, nas embarcações, por meio dos navios a vapor, e nas estradas de ferro, por meio da locomotiva a vapor.

Em decorrência disso, a Inglaterra, no século XVIII, era o país mais capitalizado do mundo, sendo Londres a capital financeira internacional. A Primeira Revolução Industrial significou ainda a padronização da produção e a redução do custo unitário do produto.

Transformações Sociais

As mudanças na economia da Europa devido à Primeira Revolução Industrial se refletiram na sociedade. Para os ricos, as transformações foram bem vindas e lucrativas, uma vez que houve o desenvolvimento urbano. Por outro lado, o êxodo rural resultou na miséria para a massa de trabalhadores que foram obrigados a procurar emprego nas cidades.

Além disso, é nesse período que surge a classe operária e, por consequência, o trabalho assalariado. Ocorre, ainda, o enfraquecimento dos laços familiares.

Consequências

Com a grande mão de obra disponível, os salários eram desumanos e assim os trabalhadores tinham que viver em péssimas condições, inclusive, crianças e mulheres, que eram exploradas. A Primeira Revolução Industrial transformou o trabalhador em um simples componente acessório da produção, podendo ser substituído a qualquer momento, sem que a indústria sofresse algum tipo de prejuízo.

Com o crescimento anomalíaco das cidades, devido ao êxito rural, as cidades também não contavam com infraestrutura suficiente para abrigar todos, causando problemas de saúde, o que resultou posteriormente nas pestes que assolaram a Europa, como a peste bubônica e a varíola.

Por outro lado, os trabalhadores reagiram contra o que estava acontecendo, destruído máquinas, organizando-se e criando associações de operários, resultando no atual movimento operário.