Realismo e Naturalismo

O Realismo e o Naturalismo surgiram paralelamente no mundo ocidental e assim permaneceram ao longo da sua história, relativamente curta. O surgimento desses movimentos ocorre na segunda metade do século 20, quando o ideal romântico que norteava a cultura literária até o momento começou a perder espaço.

Enquanto o Romantismo sintetizava a apoteose do sentimento, as novas tendências baseavam-se em tramas psicológicas, com personagens inspirados no mundo de verdade, na realidade de cada país. No Brasil, essa transição ocorreu mais especificamente em 1881.

Duas obras são bastante panfletárias, mostrando a transição entre os movimentos, são elas O Mulato, de Aluísio Azevedo, de viés Naturalista, e Memórias Póstumas de Brás Cubas, de Machado de Assis, predominantemente Realista. Dessa forma, pode-se dizer ainda que o Realismo, principalmente, é uma reação contra o Romantismo.

Transição para o Realismo e Naturalismo

Mesmo que tenha havido uma forma de ruptura quando a literatura passou do Romantismo para o Realismo e Naturalismo, o movimento anterior já dava mostras de mudança. Um exemplo é o trabalho de Castro Alves, no final dos anos 60, quando a sua poesia, embora ainda fosse romântica na expressão e forma, estava com os seus temas mais voltados para a questão político-social.

O mesmo aparecia nos versos de Sousândrade e Tobias Barreto, além dos romances românticos de nomes como Visconde de Taunay, Manuel Antônio de Almeida e Franklin Távora. Por isso, essa fase é denominada de pré-realismo. Já nos anos 70 surgiu a chamada Escola de Recife, com Sílvio Romero e Tobias Barreto, entre outros escritores, que se aproxima das ideias europeias associadas ao Evolucionismo, Positivismo e à filosofia alemã.

No Brasil, isso foi influenciado pelo conturbado momento histórico, já que se aproximava a abolição da escravatura. O ideal republicano e a crise da Monarquia foram outros fatores que impulsionaram o surgimento do Realismo e do Naturalismo no país.

Os intelectuais brasileiros da época estavam fortemente inspirados nas ideias de Darwin, Comte, Haeckel e Spencer, as quais estavam relacionadas ao espírito científico, reprimindo o entendimento espiritualista do Romantismo. Isso permitiu que a ciência explicasse o universo, tendo como guias o darwinismo, o positivismo, o cientificismo e o naturalismo.

Oficialmente, considera-se que ambos os movimentos perduraram até 1893, quando foi publicado Missal e Broquéis, ambos de Cruz e Souza, obras que inauguram o próximo movimento, o Simbolismo.

Mesmo assim, havia autores que continuaram escrevendo obras tendo como base o Realismo e o Naturalismo. Isso é visível em diferentes exemplos, entre eles, Dom Casmurro, de 1990, e Esaú e Jacó, de 1904, ambos de Machado de Assis. Além disso, Olavo Bilac foi eleito, em 1907, como o “príncipe dos poetas” e também ocorreu a fundação da Academia Brasileira de Letras, de 1897, considerada o templo do Realismo.

Existem especialistas que afirmam que os movimentos se estenderam até o início do século XX, quando Graça Aranha publicou Canaã, quando foi inaugurado o Pré-Modernismo.

Realismo

Vale lembrar que o Realismo brasileiro é totalmente diferente do europeu, uma vez que a obra de Machado de Assis, seu principal representante, foge de qualquer classificação esquemática. Nessa época, o autor se dedicou a uma literatura essencialmente problematizadora, por meio da investigação psicológica, questionando a existência humana.

Outra característica da sua obra é substituir o determinismo biológico por acentuado pessimismo existencialista. Entre seus temas está a relatividade da loucura e a exploração do homem pelo próprio homem. Ele também faz uso de estratagemas até então inéditas, como intertextualidade, metalinguagem, jogo proposital de ambiguidades e outras características que marcam a sua obra.

Naturalismo

Já o autor destaque do Naturalismo é Aluísio Azevedo, que faz uso do determinismo social em suas produções, o qual constrói por meio da observação rigorosa do mundo físico e da zoomorfização das personagens. Além de O mulato, o autor escreveu O cortiço e Casa de pensão. Azevedo escreveu O mulato influenciado pelo escritor português Eça de Queirós, principalmente, pelas obras O Crime do Padre Amaro e o Primo Basílio.

Diferenças entre Realismo e Naturalismo

Realismo

  • Retrato fiel do personagem,
  • Lentidão narrativa;
  • Interpretação do caráter;
  • Materialização do amor;
  • Determinismo e relação entre causa e efeito;
  • Veracidade;
  • Detalhes específicos.

Naturalismo

  • Visão determinista e mecanicista do homem;
  • Cientificismo;
  • Personagens patológicas;
  • Incorporação de termos científicos e profissionais;
  • Determinista, evolucionista, positivista.