Renascimento Cultural

Também conhecido como Renascença, o Renascimento Cultural foi um dos mais marcantes movimentos ao longo da história. O seu berço foi a Itália do século XIV, no entanto, esteve presente em toda a Europa e se prolongou até o século XVI. O Renascimento atingiu, em especial, os moradores dos centros urbanos, tendo como ponto de partida a retomada dos valores da cultura clássica.

Uma das principais caraterísticas do Renascimento é o fato de marcar o período de transição da Idade Média, com a sua estrutura feudalista, para a Idade Moderna, de viés capitalista. Essa mudança se refletiu em uma corrente filosófica, o humanismo, que teve como base abandonar a escolástica medieval para, então, retornar às virtudes da antiguidade.

Por isso, autores como Platão, Aristóteles, Sêneca, Virgílio e outros começam a ter as suas obras traduzidas. Além disso, a arte que começou a ser produzida nesse contexto tinha a inspiração nesses antigos artistas. Escritores e pensadores tiveram os seus trabalhados marcados pelos ideais e a nova visão do mundo, que não estava mais atrelada necessariamente à Igreja, como ocorreu por praticamente toda a Idade Média.

Não foram apenas as manifestações artísticas e culturais afetadas pelo Renascimento, como também a ciência. Porém, a Renascença não foi uma mudança radical e de total ruptura com o mundo medieval repentinamente. O movimento aos poucos ganhou mais adeptos, mas também recebeu resistência, já que colocava o indivíduo mais próximo de Deus. O ser humano, finalmente, podia questionar o mundo.

Características do Renascimento Cultural

Entre as principais características da Renascença, estão:

  • Racionalismo em prol do abandono do mundo sobrenatural. Assim, acreditava-se que tudo podia explicar-se através da razão e da observação, com o auxílio da matemática e das demais ciências.
  • Homem se torna o centro de tudo – antropocentrismo. É o surgimento do humanismo, a fim de valorizar o ser humano, sendo ele o centro das preocupações artísticas e intelectuais.
  • Valorização da natureza – naturalismo, bem como hedonismo – defesa do prazer individual e o neoplatonismo – defesa da elevação espiritual, sem qualquer busca material.
  • Individualismo, a fim de valorizar o trabalho e o talento.
  • Descoberta do mundo – universalismo.
  • Oposição ao teocentrismo, ao misticismo e ao geocentrismo.

Origens do Renascimento Cultural

O Renascimento iniciou na península Itálica, já que naquela época era o centro do comércio mediterrâneo. Com o crescimento da economia, os excedentes foram investidos na produção cultural. Assim, a  burguesia que surgiu das camadas marginais da sociedade medieval começou a investir em catedrais, palácios, bem como em pinturas e esculturas, a fim de ganhar status.

Além disso, a Itália favoreceu o surgimento do Renascentismo uma vez que o país abrigava um grande número de obras da Antiguidade. A proximidade física com a arte clássica inspirou os artistas renascentistas da região.

Artes Plásticas

Como é de se imaginar, a produção artística foi imensa durante o Renascimento, afetando as mais diversas áreas, como a literatura, o teatro, a ciência, entre outras. No entanto, a Renascença até hoje é mais lembrada em suas referências às artes plásticas. A produção artística da época é dividida em três períodos:

  • Trecento (século XIV): destacam-se pintores como Giotto de Bonolone (1276/1336), um dos grandes influenciadores das artes plásticas. A sua obra se caracterizou pelas figuras humanas dotadas de grande naturalismo, inclusive Cristo e os Santos.
  • Quattrocento (século XV): período de atuação dos Médicis, que financiaram os artistas, sendo Lourenço de Médici o principal deles. Destacam-se os artistas Leonardo da Vinci (1452/1519) e Botticelli (1444/1510). Esse período iniciou com o pintor Masaccio (1401-1429), um mestre da perspectiva. Outros nomes são o escultor Donatello e os pintores Andrea Mantegna, Paolo Uccello  e Fra Angelico.
  • Cinquecento (século XVI): marcado pelo papa Júlio II, já que foi ele o maior incentivador da época, porque pretendia reforçar a grandiosidade e o poder de Roma. Iniciou as obras da nova basílica de São Pedro. O autor do projeto foi Bramante, já a decoração ficou a cargo de Rafael Sânzio e Michelangelo (1475/1564), que além de pintar a capela Sistina foi um dos principais escultores do período.

Leonardo da Vinci também aparece nessa fase, com Monalisa e a Santa Ceia. Rafael Sanzio (1483-1520) era chamado de o “pintor das madonas”. Ticiano, o mestre da cor, que imprimiu sua marca na escola de Veneza. Michelangelo, pintor e escultor, responsável por obras como Pietá, Davi e Moises.