Voto de Cabresto

voto de cabresto é uma prática que ainda acontece no Brasil, que se baseia em um sistema de controle de poder político por meio do abuso de autoridade. Na prática, ele funciona com a compra de votos e/ou o uso da máquina pública. Embora tenha surgido no auge no Coronelismo – que não se extinguiu por completo no país – continua como prática comum principalmente em regiões mais pobres.

Coronelismo

Para entender melhor o voto de cabresto é preciso saber o que é coronelismo, que surgiu mais precisamente em 1889, quando houve a Proclamação da República. Ele se refere à estrutura de poder, que iniciou nos primórdios da República no Brasil. O mais comum é que o coronelismo, na figura central do coronel, atue na esfera municipal e exerça poder sobre o Estado.

Caracterizam o coronelismo ainda o apadrinhamento, a fraude eleitoral e a desorganização dos serviços públicos. Durante a chamada República Velha o coronelismo foi exercido tanto por homens com pouca instrução como por senhores mais letrados, mas sempre com a lógica do controle da população.

O coronel também era um grande fazendeiro que usava o seu poder econômico para garantir a eleição dos candidatos que apoiava. Para tanto, o voto de cabresto consistia no coronel obrigar – usando de violência quando necessário – os eleitores da sua cidade a escolherem os candidatos apoiados por ele.

Para isso ser efetivo, era comum que os capangas do coronel pressionassem e fiscalizassem os eleitores, o que era fácil, já que o voto era aberto. Além do voto de cabresto o coronel fazia uso de votos fantasmas, troca de favores, fraudes eleitorais, além da compra de votos e violência para colocar as pessoas que queria no poder.

Naquela época, o eleitor só precisava levar um pedaço de papel com o nome do seu candidato e depositar na urna, nas eleições. Dessa forma, era fácil aos coronéis entregar a cada um de seus empregados um papel já preenchido, ainda mais sendo a maioria deles analfabeta. Por isso, era comum que muitas pessoas votassem sem nem saber em quem. Como acontece ainda hoje em situações similares, os coronéis providenciavam até mesmo transporte para garantir que os eleitores chegassem às urnas.

O coronelismo se estendeu até a prisão dos coronéis baianos, durante a Revolução de 1930, quando oficialmente foi extinto. O episódio foi marcado pelo assassinato do coronel Horácio de Matos. Em 1937 surge o Estado Novo e prática não é mais aceita, embora seja recorrente até hoje no interior brasileiro.

Com o primeiro Código Eleitoral do Brasil, instituído em 1932, ao menos o voto se torna secreto, o que mostra uma melhora na situação. Além disso, com o êxodo rural o coronel perdeu influência, pois grande parte da população foi para as cidades.

O voto de cabresto atualmente

Mesmo nos dias de hoje, o sistema político e eleitoral brasileiro não tem formas eficientes de vetar completamente o voto de cabresto e, por isso, ele ainda é uma prática comum. Além disso, existem formas mais modernas de atualmente pressionar os eleitores para que votem em determinados candidatos.

Em um país onde muitas pessoas sofrem com a pobreza e nem sempre têm o que comer é muito fácil trocar voto por cestas básicas, lotes para moradia ou mesmo dinheiro. Dessa forma, funciona inclusive como instrumento de pressão psicológica. Porém, o voto de cabresto ganha, atualmente, roupagem diferente, que pode ser através das milícias, que atuam nas comunidades pobres e obrigam os moradores locais a votar em quem eles querem.

Tipos de Voto de Cabresto

O voto de cabresto não ocorre apenas por meio da coerção da população, intimidando eleitores a fim de obrigá-los em votar em candidatos específicos. Os votos fantasmas, a troca de favores e as fraudes eleitorais são os outros tipos de voto de cabresto que existem. No caso da fraude, ele pode acontecer com documentos falsificados para que menores e analfabetos possam votar.

Antes do voto eletrônico, também era possível fraudar a contagem de votos. Na época dos coronéis, eles mesmos desapareciam com as urnas para adulterar o resultado. Mas assim como evoluiu a forma de votar, o voto de cabresto também se modernizou. Hoje em dia, ele também vigora com força nos meios urbanos, por meio da figura do paramilitar das milícias.

Narcotraficantes, líderes religiosos e candidatos também são os novos rostos do coronelismo. O denominado voto de cajado é outra prática comum agora, quando pastores e líderes espirituais impõem aos fiéis um certo candidato da igreja. Com isso, se fortalece a bancada religiosa no congresso.